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Restaurações

Restauração dental: o que é, quando é indicada e qual material pode ser usado?

Dra. Letícia F. Pereira

Conteúdo elaborado e revisado por Letícia F. Pereira — Cirurgiã-Dentista, CRO-RJ 53636

Sorriso sendo examinado com espelho bucal

Quando um dente perde parte de sua estrutura, seja por cárie, fratura, desgaste ou uma restauração antiga que precisa ser substituída, é possível reconstruir essa região por meio de uma restauração.

O objetivo não é apenas fechar um espaço ou melhorar a aparência do dente. A restauração busca devolver forma, função e proteção, preservando o máximo possível da estrutura dental saudável.

Atualmente, a resina composta é um dos materiais mais utilizados para restaurações diretas, tanto em dentes anteriores quanto posteriores. No entanto, ela não é a única opção existente, e nem sempre será a melhor escolha para todos os casos. A indicação depende da quantidade de estrutura dental que permanece, da localização do dente, das forças que ele recebe durante a mastigação, das condições de higiene e do risco de novas cáries, entre outros fatores.

O que é uma restauração dental?

De maneira simples, uma restauração é uma forma de reconstruir uma parte do dente que foi perdida. Quando uma cárie destrói uma região do dente, por exemplo, o tecido comprometido precisa ser tratado e a área pode ser reconstruída com um material restaurador. O mesmo pode acontecer quando uma parte do dente sofre uma fratura ou quando uma restauração antiga apresenta infiltração, desgaste ou outro problema que indique sua substituição.

O objetivo é devolver ao dente uma forma que permita mastigar adequadamente, manter os contatos com os dentes vizinhos e funcionar de maneira equilibrada. Sempre que possível, a Odontologia moderna procura preservar a maior quantidade possível de estrutura dental saudável, evitando desgastes desnecessários.

Por que a resina composta é tão utilizada atualmente?

A resina composta é um material da cor do dente que pode ser unido à estrutura dental por meio de técnicas adesivas. Essa característica permite que o profissional reconstrua o dente de maneira bastante conservadora, preservando estruturas que não precisam ser removidas.

Além da possibilidade de reproduzir a aparência natural do dente, a resina pode ser utilizada em diferentes situações clínicas. Ela pode ser indicada para tratar determinadas cáries, reconstruir pequenas ou médias perdas de estrutura, reparar fraturas e substituir algumas restaurações antigas, tanto em dentes anteriores quanto posteriores.

Uma diretriz clínica baseada em evidências publicada em 2024 considera as restaurações diretas em resina composta uma opção viável para diferentes situações em dentes permanentes, inclusive em dentes posteriores e em determinados casos que envolvem perda de cúspides. A indicação, entretanto, deve ser individualizada.

A resina é sempre a melhor opção?

Não necessariamente. Uma das ideias mais importantes para o paciente entender é que não existe um material universalmente melhor para todos os dentes e todas as situações.

Uma pequena perda de estrutura pode ser muito bem resolvida com uma restauração direta em resina. Porém, quando uma parte muito grande do dente foi perdida, quando há comprometimento de cúspides, quando o dente recebe cargas mastigatórias elevadas ou quando existem outros fatores que aumentam o risco de fratura, pode ser necessário considerar outras formas de reconstrução.

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver uma restauração direta, uma restauração indireta, como inlay, onlay ou overlay, ou até mesmo uma coroa. A decisão depende principalmente de quanto dente saudável ainda existe e de como essa estrutura poderá ser protegida. Por isso, escolher o material antes de avaliar o dente não é a melhor maneira de planejar um tratamento: primeiro é preciso entender o problema, depois, escolher a solução mais adequada.

E a restauração de amálgama?

A amálgama foi um dos materiais restauradores mais utilizados na Odontologia durante muitas décadas, principalmente em dentes posteriores. Ela ficou conhecida por sua resistência, facilidade de utilização e histórico de boa longevidade clínica.

Isso é importante porque existe uma tendência de falar sobre a amálgama como se fosse um material simplesmente "ruim". Essa não é uma forma correta de interpretar sua história: a amálgama foi um material importante e funcionou bem em milhões de restaurações. O que mudou foi a Odontologia. O desenvolvimento dos materiais adesivos, a busca por tratamentos mais conservadores, a valorização da estética e as mudanças nas políticas ambientais relacionadas ao mercúrio fizeram com que materiais sem mercúrio, como as resinas compostas, ganhassem cada vez mais espaço.

Atualmente, existe um movimento internacional de redução progressiva do uso da amálgama dental, relacionado principalmente às questões ambientais envolvendo o mercúrio e à implementação da Convenção de Minamata. A Organização Mundial da Saúde também destaca a importância de ampliar o uso de alternativas sem mercúrio e, ao mesmo tempo, fortalecer a prevenção da cárie, reduzindo a necessidade de restaurações.

A amálgama era mais resistente que a resina?

A resposta não é tão simples quanto dizer que um material é "mais resistente" que o outro. A amálgama possui uma longa história de utilização clínica e pode apresentar boa durabilidade. Porém, a longevidade de uma restauração depende de muitos fatores, incluindo o tamanho da restauração, a quantidade de estrutura dental remanescente, a localização do dente, a força da mastigação, a presença de hábitos parafuncionais, a higiene e o risco de novas cáries.

Além disso, uma restauração não existe isoladamente: ela faz parte de um dente. Em um dente que perdeu uma quantidade significativa de estrutura, simplesmente utilizar um material resistente não significa necessariamente que o dente estará protegido contra fraturas. Por isso, o planejamento precisa considerar a estrutura que permaneceu e a maneira como as forças serão distribuídas durante a mastigação.

Quanto tempo dura uma restauração de resina?

Não existe um número de anos que possa ser prometido para todas as restaurações. A duração de uma restauração depende de características do paciente, do dente, do tamanho e da localização da restauração, da técnica utilizada, da higiene, do consumo de açúcar, do risco de cárie e das forças exercidas sobre aquele dente.

Estudos clínicos mostram que restaurações posteriores em resina podem apresentar boa longevidade, mas também podem precisar de reparo ou substituição ao longo dos anos. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 avaliou restaurações posteriores diretas e indiretas em resina e mostrou que ambas podem ser opções clínicas, embora a qualidade da evidência disponível ainda apresente limitações. Outra revisão sistemática atualizada também encontrou resultados semelhantes de longevidade entre restaurações diretas e indiretas de resina em determinadas situações, ressaltando que a evidência disponível ainda precisa de estudos clínicos de longo prazo com melhor qualidade metodológica.

Isso reforça uma ideia importante: uma restauração não deve ser escolhida apenas pensando em "quanto tempo vai durar". É preciso pensar também em quanto tecido dental será preservado, qual é a função daquele dente e qual solução oferece o melhor equilíbrio entre conservação, função, estética e manutenção.

Quando uma restauração pode ser indicada?

Uma restauração pode ser indicada em diferentes situações. Entre elas estão as cáries que provocaram perda de estrutura, pequenas ou determinadas fraturas, desgastes e restaurações antigas que apresentam alterações que justificam sua substituição.

Entretanto, nem toda alteração em uma restauração significa automaticamente que ela precisa ser completamente removida e trocada. Em determinadas situações, pode ser possível realizar um reparo localizado, preservando parte da restauração e, consequentemente, mais estrutura dental. Essa abordagem está relacionada ao conceito de Odontologia minimamente invasiva, que procura tratar a doença e preservar o máximo possível do dente saudável.

Como o dentista decide qual restauração fazer?

A escolha depende de uma avaliação individualizada. O dentista observa a quantidade de estrutura dental que permanece, a localização do dente, o tamanho e a profundidade da perda, a presença de cárie, a condição da gengiva, o controle de umidade durante o procedimento, a força da mordida, hábitos como apertamento ou bruxismo, o risco de novas cáries e também as expectativas estéticas do paciente.

A qualidade da restauração também depende da técnica utilizada. No caso da resina composta, o controle da umidade e a correta execução das etapas adesivas são particularmente importantes para o desempenho do tratamento. A diretriz clínica de 2024 destaca justamente a importância das condições clínicas e da técnica para a indicação e execução das restaurações diretas em resina.

Como é feita uma restauração de resina?

Quando uma restauração direta em resina é indicada, o procedimento normalmente começa com o diagnóstico e o planejamento do caso. Quando existe cárie, o tecido comprometido é tratado de acordo com a extensão da lesão e a abordagem escolhida pelo profissional.

Depois, o dente é preparado para receber o material restaurador. A resina é aplicada de maneira controlada e unida à estrutura dental por meio de um sistema adesivo, e o profissional reconstrói a anatomia do dente, procurando reproduzir sua forma e seus contatos com os dentes vizinhos.

Ao final, a restauração é ajustada para que a mordida fique confortável e adequada, e também são realizados os acabamentos e o polimento necessários. Em muitos casos, o paciente pode voltar às suas atividades normalmente após o atendimento, embora algumas situações específicas possam exigir cuidados ou acompanhamento adicional.

Uma restauração pode ficar com aparência natural?

Sim. Uma das principais vantagens da resina composta é justamente a possibilidade de reproduzir características visuais do dente natural. A escolha da cor, a forma, a textura e o acabamento são importantes para que a restauração se integre ao sorriso. Em dentes anteriores, esses fatores ganham ainda mais importância, porque pequenas diferenças podem ser percebidas com facilidade.

Entretanto, uma restauração estética não depende apenas da escolha de uma resina "da cor do dente". O resultado depende do planejamento, da técnica, da reprodução da anatomia e das características individuais do dente.

A restauração dura para sempre?

Não. Nenhuma restauração deve ser considerada permanente no sentido de durar para toda a vida. Mesmo uma restauração muito bem executada está sujeita ao desgaste natural, às forças da mastigação, a alterações no dente e ao risco de desenvolvimento de novas cáries.

Isso não significa que uma restauração de qualidade terá necessariamente um problema depois de pouco tempo. Significa que ela precisa ser acompanhada. Consultas periódicas permitem avaliar tanto a restauração quanto o próprio dente ao redor dela, o que é importante porque uma pessoa pode ter uma restauração aparentemente intacta e, ainda assim, desenvolver uma nova cárie em outra região do mesmo dente.

O que pode fazer uma restauração apresentar problemas?

Diversos fatores podem interferir na longevidade de uma restauração. O desenvolvimento de uma nova cárie é uma das possibilidades. Também podem ocorrer desgaste, fratura, perda de parte da restauração, alterações na adaptação ou problemas relacionados ao próprio dente.

Há ainda fatores relacionados ao paciente: uma pessoa com alto risco de cárie, higiene inadequada, consumo frequente de açúcares ou sobrecarga mastigatória pode apresentar maior risco de complicações. Por isso, cuidar de uma restauração não significa apenas cuidar da restauração. Significa cuidar do dente e da saúde bucal como um todo.

Toda restauração antiga precisa ser trocada?

Não. Uma restauração antiga não deve ser substituída apenas porque "ficou velha". A decisão deve considerar sua condição clínica e a presença de sinais que realmente indiquem necessidade de intervenção.

Quando uma restauração apresenta um problema localizado, em alguns casos pode ser possível repará-la em vez de removê-la completamente, o que pode ajudar a preservar estrutura dental saudável. A Odontologia contemporânea procura evitar o ciclo de remover uma restauração, ampliar a cavidade e colocar uma restauração cada vez maior sempre que uma alternativa mais conservadora for possível.

O que você precisa lembrar?

A restauração não é simplesmente um material colocado dentro de um dente. Ela faz parte de um tratamento que precisa considerar a doença, a estrutura dental remanescente, a função, a estética e a saúde bucal do paciente.

A resina composta é hoje uma excelente opção para muitas situações e possui respaldo em diretrizes clínicas baseadas em evidências. A amálgama, por sua vez, teve uma importância enorme na história da Odontologia e apresentou boa durabilidade, mas seu uso vem sendo reduzido internacionalmente em razão das políticas de redução do uso de mercúrio e da disponibilidade de alternativas restauradoras.

Mais importante do que escolher simplesmente entre "resina ou amálgama" é descobrir qual tratamento preserva melhor o seu dente e atende às suas necessidades clínicas.

Se você percebeu uma fratura, uma cárie, uma restauração desgastada, uma alteração de cor ou qualquer mudança em um dente, vale a pena realizar uma avaliação odontológica. Muitas alterações podem ser identificadas antes que provoquem dor ou uma perda maior de estrutura.

Percebeu uma fratura, uma cárie ou uma restauração desgastada? Uma avaliação permite identificar a melhor solução para o seu caso, preservando ao máximo a estrutura do seu dente.

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Referências

  1. Wolff D, Frese C, Frankenberger R, Haak R, Braun A, Krämer N, et al. Direct Composite Restorations on Permanent Teeth in the Anterior and Posterior Region: An Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Part 1: Indications for Composite Restorations. Journal of Adhesive Dentistry. 2024;26:185-200.
  2. Sekundo C, Frese C, Frankenberger R, Haak R, Braun A, Krämer N, et al. Direct Composite Restorations on Permanent Teeth in the Anterior and Posterior Region: An Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Part 2: Recommendations for Composite Processing. Journal of Adhesive Dentistry. 2024;26:201-212.
  3. Tennert C, Maliakal C, Suárez Machado L, Jaeggi T, Meyer-Lueckel H, Wierichs RJ. Longevity of posterior direct versus indirect composite restorations: A systematic review and meta-analysis. Dental Materials. 2024;40(11):e95-e101.
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  5. Kisumbi BK, Osiro OA, Gathece LW, et al. Dental Amalgam Phase-Down: Status, Alternatives, Strategies and Preparedness for Implementation: A Review. International Journal of Dentistry. 2025.
  6. World Health Organization. Report of the WHO Global Oral Health Meeting, Bangkok, Thailand, 26-29 November 2024. World Health Organization. 2025.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação odontológica individual.

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